Deus é negra
Lambe-lambe
2018
2018
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A obra parte da pergunta: e se Deus fosse uma mulher negra? A obra propõe um deslocamento radical do imaginário religioso e simbólico dominante, tensionando estruturas históricas de poder que associam divindade, pureza e autoridade à branquitude e à masculinidade.
Realizada sobre a fotografia Mulher negra não identificada, de Alberto Henschel, a obra estabelece um diálogo crítico com o arquivo histórico, reativando imagens produzidas sob o olhar colonial e reinscrevendo nelas novas camadas de sentido.
Deus é negra aplicada sobre fachada da capela São Matheus,
no Engenho Massangana (2025)
A intervenção se constrói a partir da recorrência do apagamento e da violência simbólica. Sempre que é instalada no espaço urbano, a obra é vandalizada em poucos dias ou horas, evidenciando o desconforto gerado pela simples possibilidade de existência dessa entidade. O gesto revela como a presença de um corpo negro feminino no lugar do sagrado ainda provoca rejeição, censura e negação.
A obra adaptada compôs a exposição:
A coisa ficou preta (2025)